Diário de um Campo de Batalha, 2


Por John Berg

Já faz alguns dias desde que conseguimos sair daquele lugar em que via pessoas de baixa estatura em uma guerra constante. Um país protegido por pessoas de armadura que ajudamos a libertar. Mas essa libertação trouxe o suicídio do líder daqueles guerreiros que pareciam de pedra, e como soubemos, pode ampliar a guerra, porque o país ficou sem suas defesas nas cavernas. Libertamos pessoas para a morte e condenamos tantas outras ao sofrimento, e só o que pudemos fazer foi fugir.

Hoje fomos em uma pequena cidade, precisávamos apenas de informações para encontrar um mercenário, para recuperar dele um artefato que poderia acabar com essa guerra que acontece por aqui, e pelo que entendi, libertar uma mulher muito estimada que está presa. Só precisávamos de informação. Só isso. Ninguém precisava se machucar ali, desde que descobríssemos onde estava o tal mercenário, Camaleão. Mas no meio disso duas pessoas tentaram me matar. Tentando não ser morto, nocauteei eles, ia levá-los para julgamento. Mas então todos no bar se voltaram contra mim. O dono do lugar, me pareceu, permite os assaltos ali. Como resisti, cinco vieram me matar. Fui salvo por um mercenário que acabamos de conhecer, alguém movido por ganância, não por um ideal como a Democracia. Ele me salvou, e logo depois vieram os outros. Quando as autoridades locais chegaram, eles não nos ouviram, e partiram para o ataque. Outros precisaram morrer para que pudéssemos fugir.

Fomos sempre atacados primeiro, mas cada vez que nos defendíamos, mais precisavam cair desacordados ou mortos diante de nós. Ninguém precisava se ferir, só precisávamos de uma informação. Mas cada palavra que conseguimos parece nos custar uma vida. Só o que fazemos é guerra.

Eu sempre lutei pela Democracia. Era ela o sentido da guerra pela qual lutávamos, era ela que estávamos defendendo. Mas no meio dessa rotina de combates já percebi que não estamos mesmo no Japão, mas em algum lugar mitológico perdido no tempo e no espaço, onde seres míticos realmente parecem existir. Talvez nem exista Democracia nesse lugar, onde ninguém se ouve, onde todos levantam as armas e tentam matar mesmo sem razão, onde vítimas de uma tentativa de assalto são obrigadas a matar para não morrer da própria polícia. Talvez a Democracia nem exista de fato, pois não é isso que estamos fazendo. Não nesse lugar. Ou não em mim. Talvez eu estivesse me enganando todo esse tempo. Cada vez mais, não me parece existir um sentido para a guerra. A guerra parece ser o sentido…

By Marcelo Fernandes

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